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Deuses e divindades,
por Pedro Diogo
O texto abaixo, o qual reproduzimos
tal como nos chegou às mãos, foi-nos gentilmente enviado pelo amigo Pedro Diogo.
O Pedro é um apaixonado pelo Egipto e pela Egiptologia, e está sempre pronto a
ajudar com os seus conhecimentos. Agradecemos aqui publicamente a sua
colaboração.
A civilização egípcia durou mais de três mil anos e trinta e uma dinastias de
faraós governaram sobre o país. Compreende-se que tenha sofrido muitas
transformações ao longo da sua história. Essas transformações reflectiram-se em
vários domínios, incluindo o da religião, que era politeísta. Seria praticamente
impossível apresentar ao Mundo todos os pormenores do pensamento religioso dos
egípcios, mas podem salientar-se alguns dos aspectos mais interessantes.
Os egípcios adoravam vários deuses e
representavam-nos de várias formas: com figura de homem; corpo humano e cabeça
animal; corpo de animal e cabeça humana, entre outras. Alguns deuses eram
adorados em todo o Egipto, enquanto outros eram adorados apenas em algumas
povoações, sendo o seu nome às vezes desconhecido.
Rá,
a primeira das divindades cósmicas, é o deus do Sol. Com o nome de Atum, é o
deus da cidade de Heliópolis, “país berço de todos os deuses“, como lhe chamam
no Império Médio (2040 – 1780): identificado com o Sol do entardecer, primordial
e criador, realizou-se a si próprio, em seguida fez aparecer a colina de areia
sobre a qual criou o primeiro casal.
Rá viaja no céu sobre duas barcas, a do dia, a Maandjet, e a da noite, a
Masaktet. Quando chega o entardecer, desaparece na boca da deusa Nut e atravessa
o interior do seu corpo, para renascer dela de manhã como o novo Sol. Deus com
cabeça de falcão, ou representado com o aspecto de um faraó, tem várias vezes a
seu lado uma deusa emanada dele, Maat. É com efeito o senhor do Além. O seu
culto ultrapassa Heliópolis desde a IIª dinastia, mas trona-se realmente o
grande deus solar na Vª dinastia (2498 – 2345), dinastia em que o faraó começou
a ser conhecido como o filho de Rá. Mas é eclipsado a partir do Império Novo
(1570- 1070), por um lado como primeiro deus por Ámon, a divindade solar de
Tebas, por outro lado por Osíris como deus dos mortos.
A famosa “ heresia “ de Áton, promovida por Amenófis IV (Akhenaton) deriva do
culto de Atum (ou Áton).
Tot
é igualmente venerado no nomo de Hermópolis. Divindade da lua, é figurado como
um deus com cabeça de íbis, encimada por vezes com um disco lunar. É
essencialmente deus do verbo divino e do impulso criador. Inventor dos
hieróglifos, é portanto divindade da escrita, da sabedoria e do cálculo do
tempo, e detentor de poderes mágicos que o fazem identificar com Hermes pelos
Gregos.
Ptah
reina como senhor na futura Mênfis, “ balança do Duplo País “, que marca o ponto
de equilíbrio entre o Alto e o Baixo Egipto. Padroeiro dos ferreiros e dos
escultores, modelou, na sua qualidade de oleiro, o ovo de onde saiu o mundo.
Representam-no como um homem de cabeça rapada, envolto num sudário de múmia,
segurando nas mãos um longo espectro. O animal sagrado no qual se encarna é o
boi Ápis.
Sekhmet,
a deusa leoa de Mênfis (identificada com o olho de Rá, divindade vingadora), é a
esposa de Ptah, portadora das epidemias, e por conseguinte padroeira dos
médicos.
Deusa da guerra e defensora do seu marido Ptah, era normalmente representada
como uma mulher com uma cabeça de leoa encimada por um disco solar com uma
serpente na frente.
Atum
era considerado pelos egípcios como o primeiro deus a surgir no mundo, o deus
criador. Acreditavam que Atum surgiu das águas primordiais de Nun e criou todos
os outros deuses.
A
tríade osiriana:
Ísis, Osíris e o filho deles, Hórus são as três grandes figuras do panteão do
Baixo Egipto, as mais populares.
Ísis,
cujo nome significa “ o Assento “, é representada como uma mulher trazendo na
cabeça quer o assento, hieróglifo do seu nome, quer dois chifres liriformes
encerando o disco solar. Originária da cidade de Buto, é venerada pela sua
astúcia, a sua tenacidade e a sua inteligência, encontrando-se no centro de
vários mitos. Mãe e esposa exemplar, é simultaneamente maga e deusa. Os Egípcios
invocam-na para curar os males mais espalhados e acalmar os seus terrores. A sua
irmã Néftis ajuda-a no ritual do enterro e ressurreição de Osíris.
Osíris,
irmão e marido de Ísis, é o deus dos defuntos, a divindade do além. Filho de Geb
e Nut (rei do mundo), assassinado pelo seu irmão Set e cortado em catorze
pedaços, o seu cadáver é dissimulado, e em seguida disperso pelo seu assassino.
Sepultado pela irmã e esposa Ísis, é ressuscitado.
Os habitantes da cidade de Busíris confiam-lhe os seus mortos, Abydos é a sua
cidade santa e o seu culto difunde-se desde as épocas mais remotas através do
país inteiro. Envolto numa mortalha, com a cabeça coberta por uma tiara ladeada
de duas penas, a carne de Osíris é verde, cor de revivescência.
Hórus,
o filho de Ísis, é o deus da cidade de Edfu, no Delta. É representado nu,
adornado com a trança dos príncipes pendente sobre a orelha, e levando o dedo à
boca. Adulto, tem o aspecto de um homem com rosto de falcão coroado pelo disco
solar. Protector por excelência do faraó, a sua cor representativa é o vermelho.

Horus - Templo de Edfu - Outubro
2002.
Ámon,
obscuro deus de Tebas, torna-se no Império Novo o rei dos deuses. Aparece umas
vezes como rosto humano, outras como um homem com cabeça de carneiro. Os seus
animais sagrados são o carneiro e o ganso. Forma uma tríade com a esposa Mut e o
filho de ambos Khonsu. Divindade local, a sua sorte coincide com a dos tebanos
que fundam o Império Novo (1570 – 1070), permitindo-lhe eclipsar Rá. Com a
destruição de Tebas pelos Assírios no século VII a.C., declina em proveito de
Osíris.
Anúbis,
incarnado pelo cão selvagem ou o chacal, vela sobre os túmulos, pois está
encarregado de introduzir os mortos no outro mundo. Deus dos embalsamadores (foi
aliás ele que mumificou Osíris assassinado), é adorado em Cinópolis no Baixo
Egipto.
Bastet,
a gata, é adorada em Bubástis. Esta deusa era inicialmente uma leoa furiosa tal
como Sekhmet, o olho de Rá.
Seshat
era a deusa da escrita e das medidas.
Geb,
marido de Nut, é o deus da terra, senhor dos minerais e das plantas.
Violentamente separado da mulher pelo deus Chu, jaz no solo, que personifica.
Hathor
é a deusa venerada na cidade de Dendera. É representada quer como uma vaca, quer
como uma figura feminina com orelhas de vaca. Traz na cabeça dois altos chifres
liriformes encerrando o disco solar. Deusa da música e da fertilidade, o sistro
é o seu emblema. Deusa do amor (que os Gregos identificam com Afrodite), é
invocada para conseguir “ um lar à virgem e um marido à viúva “. Os defuntos são
colocados sob a sua protecção a fim de que ela os faça renascer para a vida
eterna.
O deus
Chu,
que se esgueirou entre Nut e Geb enlaçados, mantém nos seus braços erguidos Nut
no ar e representa assim o espaço vazio entre a terra e o céu.
Khnum
é o oleiro que modelou o ovo divino. Deus com cabeça de carneiro, é adorado em
Elefantine.
Khonsu
é o filho de Ámon e de Mut, adorado em Tebas. É uma criança ou homem
representado com uma cabeça de falcão trazendo o disco lunar.
Nun,
deus cósmico, representa a água primordial na origem de tudo, que engloba o
mundo inteiro. Era associado ao caos do Universo.
Nut,
deusa do céu, é uma mulher gigantesca, de membros esticados, cujo corpo forma
uma cúpula por cima da terra.
Set,
o deus do Alto Egipto, é representado como um homem com cabeça de galgo, orelhas
triangulares e um focinho delgado. As suas cores são as do deus falcão (branco e
vermelho), que se encontram nas vestes faraónicas. Assassino do seu irmão
Osíris, foi finalmente deposto do panteão egípcio no Império Novo.
Maat,
a deusa da verdade, da justiça e da conduta ordeira era representada como uma
mulher ajoelhada com uma pena direita no cabelo (hieróglifo que representa o seu
nome). Ela representa também o peso do coração dos defuntos no Julgamento dos
Mortos.
Tuéris
é solicitada pelas mulheres (nomeadamente grávidas) que procuram os seus
favores. Esta deusa revestida de um corpo de hipopótamo protege-as dos espíritos
maus
Sobek,
deus crocodilo, tinha os seus santuários nas zonas mais afectadas pelo perigo
constante dos crocodilos às vidas humanas.
Khepri
era o deus da criação, do movimento solar e do renascimento. É representado como
um homem com a cabeça de um escaravelho ou como um escaravelho apenas.
Ra-Horakhty,
cujo nome significa “Horus no horizonte “ era a fusão do deus Horus com o deus
Rá. Representava o Sol nascente.
Alguns semi-deuses (ou génios) povoam igualmente o panteão egípcio. Provenientes
do folclore, não têm templos e só muito raramente são lá representados. Os
génios agrícolas ocupam decerto um lugar de destaque, mas encontram-se também
figuras inquietantes.
Apófis,
a serpente, ataca à tardinha e de manhã a barca do Sol para ser repelida de cada
vez. Identifica-se tardiamente com o deus Set, quando este é banido do panteão.
Bés,
geniozinho hirsuto, com a língua sempre de fora, é um protector permanente da
família, nomeadamente das mulheres grávidas. Está representado sobre os objectos
familiares e os amuletos.
Associado também ás celebrações, às crianças e ao nascimento, era representado
sempre de frente, nunca de perfil, provavelmente para encarar os espíritos
malignos de uma forma ameaçadora.
Hapi,
o génio das inundações, é uma personagem comprida cuja cabeça está encimada por
um papiro.
Nepri
é o deus do grão e Renmut a deusa da colheita.
Autor : Dados Pessoais [ Author :
Personal Irnformation ]
Nome:
Pedro Diogo
Local:
Portugal
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