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1834
O Tesouro de Ferlini
A vasta terra ao sul do Egipto, a Núbia, foi o antigo Kush e porta de
entrada em África, uma fonte de ouro, marfim, peles de animais, e outros
materiais preciosos. Foi desde sempre um lugar com o qual os Egípcios
estabeleceram forte ligação, acabando mesmo na anexação este país ficou sob
controlo do Egipto através de uma governação directa de um vice-rei. Com o
desfazer de um envolvimento mais directo por parte dos Egípcios, por volta de
1000 A.C., a cultura Núbia teve a oportunidade de se desenvolver ao seu
próprio ritmo e com efeitos muito impressionantes.
Durante os primeiros tempos do Reino de Kush, o centro religioso e principal
necrópole foi Napata (actuais zonas arqueológicas de Gebel Barkal, el-Kurru e
Nuri). Do século IV A.C. em diante, Meroé, situada na margem Oriental do Nilo,
assumiu um papel fulcral alargando a sua influência a uma grande área. Desde
meados do século III A.C. até meados do século IV D.C. foi palco do enterro
de 40 reis e rainhas. Foi neste local que Giuseppe Ferlini (1800-70) encontrou
um tesouro impressionante.
Ferlini era um cirurgião Italiano que servia sob o comando do exército
Egípcio ocupante no Sudão, e que foi ficando gradualmente obcecado em explorar
lugares antigos no Alto Nilo. Acabou por concretizar estes planos em 1834,
quando se retirou da vida militar e formou equipa com Antonio Stefani. Após
várias explorações sem grandes resultados Ferlini e Stefani chegaram a Meroé.
Ferlini estava focado em escavar as pirâmides mais pequenas em busca de
valores. O insucesso vê-lo voltar-se para um dos maiores monumentos, a
pirâmide da rainha Amanishakheto, uma inimiga do imperador Augusto, quase uma
segunda Cleopatra, ficou claro rapidamente que ela tinha sido enterrada com
algum estilo. Ferlini conduziu os seus 30 homens ao cimo da pirâmide, e
ordenou-lhes a demolição da pirâmide, bloco a bloco, de cima para baixo, na
esperança de encontrar uma entrada. Passado pouco tempo Ferlini vislumbrou uma
cavidade, a qual lhe deu acesso a uma câmara rectangular contendo vários
objectos, muitos dos quais envolvidos em panos, ele colocou-os em sacos,
escondendo assim dos Árabes os objectos mais preciosos. Na segurança da tenda
Ferlini e Stefani examinaram o seu achado. Ficaram inundados de alegria! Depois
de admirarem todo o trabalho em ouro, todas as jóias que tinham nas mãos,
perceberam rapidamente que o mesmo ultrapassava em muito o que existia na época
nos museus Europeus.
O tesouro de Ferlini, actualmente nos museus de Munique e Berlim, atraiu
enorme controvérsia desde o início. Desde a discussão acerca da autenticidade
das peças, uma vez que apresentavam de algum modo um trabalho um pouco
grosseiro, atá à controvérsia actual que assenta não na autenticidade das peças
mas no suposto contexto da descoberta, pois segundo várias opiniões parece haver
pouco espaço na parte demolida da pirâmide para conter um espaço como o indicado
por Ferlini.
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